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Evento #1

Reunião marcada para as 09h00.

Às 08h50, todos estavam na sala. Todos… menos o chefe.

O chefe chega às 09h20. Entra a rir, cumprimenta toda a gente e justifica o atraso: “O dia está agitado.”

Sem um pedido de desculpa, começa por apresentar as pessoas presentes na sala e explicar o objetivo da reunião.

Curioso… As apresentações já tinham sido feitas durante os 20 minutos em que todos esperaram por ele. E o motivo da reunião era conhecido por todos antes de entrarem na sala.

Mal termina a introdução, anuncia: “Tenho de ir abrir abrir outra reunião. São só cinco minutos. Vão avançando sem mim, para poupar tempo.” O suficiente para meter a equipa do lado a “trabalhar”, como ele diz.

Até ao momento, todos pareciam preocupados em poupar tempo. O único que ainda não tinha contribuído para tal era ele.

Cinco minutos… Na realidade, foram trinta. Quando regressa, senta-se calmamente, cruza a perna, pousa um caderno e uma caneta na mesa e pede que recomecem a apresentação.

Ao longo da reunião faz várias perguntas. As respostas estavam todas no plano de projeto e nos emails que tinham sido enviados dias antes.

A maior preocupação é garantir que fique devidamente registado em ata quem é responsável por cada tarefa. Quem faz. Quem entrega. Quem responde. Quem assume.

Tudo tem um responsável. Tudo tem um dono. Exceto a liderança.

No final, o gestor do projeto (e palestrante do dia) define prioridades. Prioridade máxima, como sempre. Reforça que fundamental comunicar à organização a importância daquele projeto. O investimento é elevado. É importante envolver as pessoas. O ROI, nem tanto. Mas também não interessa.

É então que o chefe se vira para o adjunto a seu lado, e diz, com a naturalidade de quem faz disto rotina: “Faz-me o email que eu depois envio a todos.”

Uma liderança obsoleta é isto.

É acreditar que liderar é chegar depois dos outros. Se assim não for, perderá a sua importância.

Que é falar mais do que ouvir. Se assim não for, parecerá ignorante.

Que é distribuir responsabilidades, mas nunca assumir as suas. É preciso que exista a quem apontar o dedo se algo correr mal.

Acreditar que liderar é apenas delegar, até aquilo que faz parte da sua própria função.

Dar ordens, mesmo quando não se sabe o que se ordena.

A obsolescência vem de um tempo em que o poder estava na posição hierárquica e não na competência (não me refiro concretamente à competência técnica).

Onde questionar era mal visto.

Onde os recursos humanos eram tantos, que se confundia talento com números e, assim, todos eram substituíveis.

Mas esse tempo, inevitavelmente, acabou. A par da modernização, também os modelos de liderança evoluíram.

Hoje, valorizam-se líderes ativos e que efetivamente acrescentam valor. Que procuram conhecer o negócio e estudar antes de perguntar. Que resolvam problemas!

Proativos o suficiente para se atualizarem face às novas tecnologias e metodologias de trabalho, em vez de dependerem dos outros para tarefas que poderiam executar em poucos minutos.

A autoridade já não está no cargo. Passou a ser algo que se conquista através da credibilidade, empatia, competência e exemplo. É por isso que, hoje, as organizações estão cada vez mais cheias de chefes e pouco de líderes.

Está história podia ser de há 30 anos atrás. Mas não. É atual. E foi um amigo que ma contou hoje na esplanada de um café.

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